A outra missão da Psicologia

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Quando pensamos em psicologia, logo vem à mente todos os problemas
que essa ciência ajuda a cuidar. De imediato, pensamos em doenças mentais,
dificuldades de aprendizagem, problemas de relacionamento, eventos críticos,
estresse, crises existenciais e toda a sorte de contextos humanos que causam
angústia e sofrimento às pessoas.
Todos estes pontos, de fato, pertencem ao campo de estudo da
psicologia. Durante as últimas décadas, foram estes os núcleos das principais
pesquisas e estudos desenvolvidos, gerando uma extensa gama de
conhecimento a respeito de tratamentos e métodos de trabalho que têm
auxiliado as pessoas a lidar com as problemáticas de sua vida.
Contudo, ressurge na atualidade uma missão há muito negligenciada na
ciência psicológica: a Psicologia Positiva (Seligman & Csikszentmihalyi, 2000),
que estuda os aspectos bons e saudáveis da humanidade sob o olhar
científico. Os autores sinalizam que a psicologia não deve apenas se debruçar
sobre as patologias, fraquezas e danos, mas também sobre as virtudes e
fortalezas do sujeito.
Neste contexto, podemos pensar que, muito além de tratar dificuldades e
problemas, a psicologia tem o potencial de auxiliar as pessoas a atingir o
máximo de suas possibilidades. Isso implica numa abordagem científica que se
fundamente em estudos desenvolvidos empiricamente, apropriando-se de
métodos de pesquisa para validar conceitos e e ferramentas que promovam o
desenvolvimento superior dos talentos, habilidades e competências de cada
indivíduo.
Segundo Seligman e Csikszentmihalyi (2000),

“a psicologia deveria auxiliar a documentar quais os tipos de família que ajudam suas crianças a florescerem, que tipo de ambientes de trabalho levam a máxima satisfação entre os trabalhadores, quais políticas levam a maior engajamento civil e como a vida das pessoas podem ser mais satisfatórias” (tradução minha).

Ou seja, na prática, a psicologia pode dar suporte à sociedade de modo
geral, desde suas menores células (indivíduo e sua família) até nos contextos
mais macros e institucionais para encontrar e materializar a potencialidade do
ser humano. Dessa forma, a psicologia pode gerar conhecimento científico a respeito
da construção, desenvolvimento e configuração de pensamentos,
comportamentos e ações que imprimam ao sujeito o grau mais elevado de
suas possibilidades, podendo levar a humanidade a atingir novos níveis de
satisfação e bem estar geral.
Seligman e Csikszentmihalyi (2000) apontam que os eixos da psicologia
positiva podem estar relacionados ao passado (bem-estar, contentamento e
satisfação), presente (flow e felicidade) e/ou ao futuro do sujeito (esperança e
otimismo).

A eclosão destas ponderações na atualidade pode estar refletindo a
necessidade do homem moderno em compreender a si mesmo mais
profundamente, além do “livre de doença”. Vivemos em uma época incerta,
complexa, ambígua e volátil, onde as relações do homem com o mundo
passam por mudanças constantes em uma velocidade altíssima. Para se
orientar nesse novo cenário, o indivíduo precisa se apoiar em recursos sólidos
de sua psique, que o ajudem entender tamanha relatividade da
contemporaneidade e o propulsione a encontrar e realizar suas
potencialidades.
No post anterior, expliquei que a missão do blog seria ser um diário de
estudos sobre os temas que contornam o caminho do homem para
autorrealização. Assim, a psicologia positiva será um tema que nos
aprofundaremos, entendendo mais dos estudos do universo acadêmico sobre
este tema.
Referência Bibliográfica
Seligman, M. E. P. & Csikszentmihalyi, M. (2000). Positive Psychology: An
Introduction. American Psychologist, 55 (1) 5-14

Photo by Samuel Zeller on Unsplash

Nota
Este post não tem por finalidade debruçar-se sobre todo o tema utilizando-se
de métodos de pesquisa científica, mas explorar as ideias explanadas em
trabalhos científicos a respeito do tema.

Sobre Daniel Alkmin
Psicólogo pela Universidade Santo Amaro, com sólida atuação em Recursos
Humanos e Educação, curioso sobre os temas relativos a auto realização.

Agradecimentos 

Bianca Misko – Revisão

Leonardo Alkmin – Articulação criativa

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