Um Novo Olhar para os Pontos Fortes

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No último post, refletimos um pouco sobre a nova onda da psicologia que se preocupa em olhar para os aspectos saudáveis das pessoas, auxiliando na construção, desenvolvimento e aprimoramento de elementos que aumentem o bem-estar, satisfação e realização do indivíduo. Esta vertente vai muito além do que apenas trabalhar para a minimização das patologias, considerando também a materialização das potencialidades da pessoa.

No artigo que exploramos para fundamentar o ultimo post, Seligman e Csikszentmihalyi (2000) explicam que a função do tratamento não está apenas em concertar o que não está saudável, mas nutrir os melhores pontos do sujeito. Neste contexto, pode-se visualizar uma mudança importante no paradigma atual que governa grande parte da relação das pessoas com o mundo.

Não é necessário estudos científicos para se perceber que sociedade geral se esforça muito para trabalhar os pontos fracos, as patologias, as dificuldades, porém pouco se fala em como desenvolver e aprimorar os pontos mais fortes, mais saudáveis, mais virtuosos. Numa equação onde o foco está em equilibrar pontos fracos e fortes, o resultado sempre será mediano, dado o esforço empregado para se adequar os pontos fracos aos fortes, sem se ampliar a gama de pontos fortes.

Já numa equação onde o foco está em se expandir e evoluir os pontos fortes, ainda trabalhando as fraquezas, mas com maior intensidade as fortalezas, o resultado se apresenta de modo exponencial, dado o grau de superioridade atingido pelos pontos fortes potencializados pelo esforço em evoluí-los.

Podemos visualizar esta questão quando pensamos no modo como os pais educam seus filhos. Não é incomum se ver pais preocupados acerca dos erros e falhas dos filhos, arriscaria dizer que a grande maioria dos pais corrigem os filhos quando percebem que estes cometem erros. Contudo, raríssimo se vê pais que conhecem e tentam ampliar as fortalezas de seus filhos. Seligman e Csikszentmihalyi (2000) corroboram com essa ideia ao ponderar que a função paterna vai além da correção, mas no apoio para identificar e nutrir as potencialidades dos filhos.

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Nesta linha de reflexão, ter programas de tratamentos bem estruturados, necessariamente, implica em se pensar em ações preventivas bastante robustas e consolidadas, objetivando a capacitação do indivíduo para antever situações problemáticas e fatores de risco, bem como fortalecer os aspectos mais saudáveis. Assim como explicam Seligman e Csikszentmihalyi (2000) a “prevenção está relacionada à construção de competências” (tradução minha).

Por fim, pode-se entender que tais conceitos podem circundar as diversas esferas de atuação do ser humano, atingindo desde situações de trabalhos e educação, até as relações afetivas, crescimento e diversão, nas quais o indivíduo teria um papel central no processo de construção como “tomador de decisão, com escolhas, preferências, e possibilidades de se atuar com maestria e eficácia, ou, em situações desfavoráveis, desesperado” (Seligman & Csikszentmihalyi, 2000) (tradução minha).

Realizar mudanças de mentalidades nunca é uma missão fácil, ainda mais pensando em crenças tão cristalizadas como a de que ‘é mais importantes melhorar os pontos fracos’ ou ‘saúde é não estar doente’. Contudo, os trabalhos em psicologia positiva e demais disciplinas que cercam o tema “alto desempenho, felicidade e saúde” mostram cada vez mais a tendência em concentrar-se nas competências já estabelecidas no sujeito para o atingimento de níveis mais elevados de bem-estar, levando a sociedade a conhecer novas possibilidades e soluções inovadoras para problemáticas apresentadas na contemporaneidade.

Referência Bibliográfica

Seligman, M. E. P. & Csikszentmihalyi, M. (2000). Positive Psychology: An Introduction. American Psychologist, 55 (1) 5-14

Photo by rawpixel.com on Unsplash  (Capa)

Photo by Sebastián León Prado on Unsplash (Pais e Filhos)

Nota

Este post não tem por finalidade debruçar-se sobre todo o tema utilizando-se de métodos de pesquisa científica, mas explorar as ideias explanadas em trabalhos científicos a respeito do tema.

Sobre Daniel Alkmin

Psicólogo pela Universidade Santo Amaro, com sólida atuação em Recursos Humanos e Educação, curioso sobre os temas relativos a auto realização.

 

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2 comentários

    • Ola Ketilym, muito obrigado pelo comentário!
      Existem alguns meios que você poder usar para conhecer seus pontos fortes…
      Existem profissionais (Psicologos, Coaches, Orientadores Vocacionais) que possuem ferramentas para te ajudar a identificar seus pontos fortes e, muitas vezes, te ajudar a entender fortalezas que você nem se deu conta que tinha!
      Mas, além disso, você também pode encontrar seus pontos fortes por você mesma, percebendo em seu dia a dia quais são as coisas que você faz muito bem e com pouco esforço comparado com outras (vale uma matéria preferida nos estudos, uma tarefa de casa como lavar a louça ou até mesmo em suas relações, como ser uma boa ouvinte).
      Assim, uma vez que você identificou um ponto forte, pode colocar alguns esforços para potencializá-lo.
      Espero que consiga encontrar seus pontos fortes e depois me contar quais são e como os tem desenvolvido. Vou ficar feliz em ouvir.
      Forte Abraço

      Curtir

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